09/09/2020

E eu sempre achei que...

Eu nunca fui uma pessoa de ficar criando expectativas ou coisas assim. Mas até chegar o dia que sim, eu criei minha primeira expectativa sobre alguém. Sabe aquilo de sempre ter a primeira vez pra tudo? Só que na maioria das vezes, quando ocorre uma decepção nas primeiras vezes da vida, a gente aprende rápido, mas eu fui mais além. Fiz a mesma coisa duas vezes. Criar expectativas deve estar na rotina do ser humano e depois que a gente aprende então... fica ainda mais. Eu sempre achei que nunca ia acontecer isso comigo, eu sempre fui tão de boa, sossegado, é o carinha que sempre deixa a vida mostrar as surpresas primeiro. É mas eu acho tantas coisas...

Eu sempre achei que amor é tipo aquilo de jantar com a surpresa do pedido, flores, e doguinho passeando e pulando pelo apartamento onde a gente pode chamar de nosso pequeno lar e poder dizer que somos pais de um cachorrinho. Eu sempre achei... Eu sempre achei também que encontraria um príncipe, é eu tinha essas fantasias, eu achei que uma hora da minha vida ia esbarrar em alguém com quem eu dividiria minha vida inteira. E não é bem assim. Acho que ao todo só me apaixonei duas vezes na vida, na primeira eu me enganei de pessoa, onde eu não fazia ideia, mas aquilo realmente não era pra mim. Já na segunda foi engano de alma mesmo, de essência, a pessoa não era o que eu projetei em minha mente.

Aos 16 ou 17 anos. Eu achei que tinha escolhido a melhor pessoa da vida. Ele era muito compreensível, coisa que todo adolescente adoraria. Era a primeira vez que eu gostava de alguém de verdade, eu posso dizer assim, então pensar que seria a melhor pessoa do mundo era normal. Eu sempre achei que ia dar super certo, nem que seja a amizade, mas realmente não dava. Os mundos eram diferentes, as escolhas eram diferentes, e por mais que a gente desse tão bem junto no as vezes, se fosse todos os dias não ia dar certo de qualquer maneira. Eu achava que era o amor da minha vida, não era o príncipe que eu idealizei e nem tão pouco o carinha com quem eu poderia dividir um apartamento ou ter um cachorrinho pra chamar de filho. Mas era a primeira pessoa que eu gostei, era a primeira pessoa que eu gostei de um mundo bem diferente do meu.

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Aos 19 ou 20 anos. Eu achei que tinha encontrado a pessoa certa. E eu sempre achei que a gente tinha tudo em comum, e tinha mesmo, aliás... temos ainda. Eu acho que gostei até mais desse cara que do anterior, eu acho não, eu tenho certeza. Era incrível a nossa conexão, era algo sim bem diferente. Eu sentia que estava ao lado da pessoa certa, ao lado de quem me protegia. Esse eu pensava como um príncipe, bobo? Um pouco talvez, mas era a minha mente, mente de apaixonado, então não tinha como não pensar. Era alguém que eu confiava, e até decidia algumas coisas da vida ao lado dele, pedia conselhos sobre o que fazer e como fazer, eu o chamava de "consciência de fora", porque ele sempre me ajudava a tomar as decisões de forma clara, rápida e com razão, sem emoções. Ele meio que me mantinha na terra em meio as minhas imaginações sabe?

E como eu disse lá no começo, não era o que eu imaginava. As expectativas dessa vez foram fortes, bem intensas. Eu literalmente idealizei uma pessoa que não existia. Eu sempre comentava sobre ele como alguém em que carrego toda confiança, alguém amável, as vezes durão, mas amável. A única pessoa com quem eu podia conversar e desabafar sem me julgar. Era alguém que eu pegava na mão e me sentia seguro. Era um cara que eu pensava ser mais do que um príncipe e mais do que o carinha pra dividir o apartamento e chamar um cachorrinho de filho. Mas não foi bem assim, na realidade nunca foi e eu não entendi desde o começo não sei porque. Acho até que quando a vida observa que não vai dar certo, ela te ajuda sabe? Ela te mostra de alguma forma.

Se tornou aos poucos alguém insensível, alguém que não tem importância com nada, alguém que não entende o que eu sinto. Acho que isso tava na cara, mas eu não entendi. Eu não vi. Um dos meus maiores erros é achar que as pessoas são perfeitas pra mim logo de primeira, sem pé nem cabeça eu tenho a ousadia de dizer que "agora vai dar tudo certo", e a vida alí me mostrando que não vai dar certo nada. E não é culpa da vida, aliás eu acho até que ela me ajuda e muito, mesmo não atendendo aos chamados na hora exata, eu consigo aprender bastante com ela.

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Eu tenho um pequeno problema em achar que tudo vai ser bom, que tudo vai ser bonito e que eu posso ou tenho domínio para fazer as coisas darem certo. E quando não dá eu me sinto um completo inútil. Eu tenho que entender que tem gente que entra em nossa vida apenas pra mostrar que não devemos ser como aquela pessoa. Apenas isso. Quis mostrar através de duas pessoas o quanto uma expectativa pode acabar e decepcionar a gente. E em nenhum dos casos acima a culpa foi de nenhum deles. Pelo contrário, se fui eu o criador, o que tem a ver com eles? Exatamente, nada!

Isso pode até ter me ajudado a ter mais confiança em mim mesmo sabe? Entender que eu não preciso projetar nos outros desejos que eu quero que se realizem, apenas poque eu quero. O legal da vida na verdade é aproveitar todos os detalhes, sem precisar planejar, apenas viver. O amor-próprio entra nisso tudo a partir desse entendimento meu. E olha só, não teria momento melhor pra ele aparecer. De que adianta você criar pessoas e personalidades que na verdade não são elas em sua mente? Primeiro se ame, você não precisa criar nada, apenas ser você. Porque é isso que as pessoas são, apenas elas mesmas. E não se culpe por não enxergar o lado verdadeiro das pessoas, ou até mesmo por observar tarde demais, o que importa é que você aprenda com seu tempo, que pessoas são pessoas, fazendo suas pessoísses da vida. Cada um tem a sua forma de ser e de viver, comece a ver as pessoas como elas são, não tente criar um eu que não é o verdadeiro, se surpreenda com o inesperado e deixe de fora o idealizado.

Acho até que de tanto idealizar, achar e criar. Esses pensamentos funcionam como um "merecimento" próprio sabe? Onde a gente idealiza justamente pra se sentir confortável ao lado da pessoa que a gente acha ser a ideal para estar ao nosso lado. É sentimento, não é um objeto que a gente cria com base em gostos.

E eu sempre achei que ia encontrar apenas uma pessoa na vida e viver a vida inteira. E eu que pensei muitas coisas acabei não tendo nada pra pensar agora. Aliás, descobri uma coisa valiosa no meio de tudo isso: que o amor só vem para aqueles que não estão prestando atenção. Então não fique atento à nada, permita que a vida te surpreenda. Eu até agradeço aos antigos "amores" que tive, com eles eu pude perceber que eu não preciso criar nada, eu só preciso viver, e que se for pra dar certo, vai dar e pronto. E eu sempre achei que ia ser recebido por um príncipe no cavalo branco, com o mar ao fundo e a lua brilhando nas águas enquanto eu diria sim olhando em seus olhos... A vida não é assim, nunca foi.

Eu que sou bobo mesmo.


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